ILNOVA

Búlgaro


 A língua búlgara é descendente direta dos antigos dialetos eslavos falados na Península Balcânica desde a chegada dos eslavos por volta da metade do primeiro milênio d.C. Seus primeiros registros então gravados em manuscritos em eslavo antigo, cujo sistema de escrita era o glagolítico. O nome búlgaro procede dos nomes das tribos Bulgar que habitaram os Bálcãs orientais no século VII d.C. Precisamente esta palavra, búlgaro, é uma das poucas palavras que se conservam do búlgaro original.
 

Curso livre de Língua Búlgara

Destinatários

Estudantes das licenciaturas de Relações Internacionais, Estudos Europeus, Línguas e Literaturas Modernas, Tradutores e Interpretes, Ciências Literárias e Linguísticas, História e Ciências Humanas e Sociais, interessados na língua e cultura búlgaras.

Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa de todas as licenciaturas, interessados na língua e cultura búlgaras.

Público geral, interessado na língua búlgara e nas culturas da Europa de Sudeste.

Curso Inicial de Língua e Cultura Búlgaras

Objectivos:

Adquirir conhecimentos linguísticos e culturais que permitam competências comunicativas básicas, orais e escritas, em situações quotidianas.

Conteúdos:

Alfabeto cirílico. Criação e divulgação. Comparação com o alfabeto latino e grego.

Gramática e vocabulário básicos: Nível I da Língua búlgara para estrangeiros.

Identificação de pessoas e objectos.

Localização no espaço e no tempo.

Projectos de vida: estudos e trabalho.

Localização geográfica e geopolítica da Bulgária.

Elementos da história moderna da Bulgária e da região balcânica.

Elementos de cultura: tradições, lazer, comida.

NB: Os três últimos temas podem ser leccionados em português.

Metodologia: baseada no método interactivo, comunicativo e comparativo.

Suportes:

Manual: Língua búlgara para estrangeiros, Nível I, do Departamento de Língua Búlgara para estrangeiros, Universidade de Sofia, Bulgária.

CD-ROM

Vários materiais audiovisuais.

Textos originais e adaptados.

Dicionários: Português-Búlgaro e Búlgaro-Português, Edições Karina M, Sofia, 1996

Certificação:

Os estudantes interessados podem apresentar-se ao exame de Búlgaro para estrangeiros, Nível I, para obter o respectivo certificado.

 


O desafio cultural da Língua Búlgara

 

 Apresentar a Língua Búlgara, a língua dos búlgaros da Bulgária, em alguns minutos, é uma prova difícil. Tentarei, portanto, falar pouco para dizer muito. Começarei por explicar o título e não irei mais longe do que o título.

Toda uma língua é um encontro com o outro, com o estranho que nos chama e nos inquieta. Para preservar o próprio, nós tentamos assimilar o outro e reduzir a diferença, domesticar a estranheza. É assim que nascem os estereótipos, as ideias feitas, o lugar-comum. Entrar numa língua estrangeira é uma tentativa e uma tentação de desafiar as ideias feitas, é uma aventura cultural que tem momentos de alegria e de tristeza.

Para o europeu comum, entrar na língua búlgara, isto é na história e cultura búlgaras, é um desafio porque, por um lado, vai pôr em causa muitas ideias feitas, vai perder a comodidade de um certo equilíbrio, mas, por outro lado, vai ganhar o prazer de pequenas descobertas. Apesar das relações diplomáticas muito antigas entre a Bulgária e os outros países europeus, a Bulgária é ainda o país menos conhecido da Europa. De facto, o mistério da Bulgária não é unicamente o das vozes búlgaras. (Exemplo: pela primeira vez a bandeira de Portugal foi arvorada em Sófia, no dia 28 de Setembro de 1898, dia do aniversário de Dom Carlos I).

Quais são algumas das ideias feitas sobre Bulgária, que ainda existem e que os europeus deveriam superar para conseguir um relacionamento natural, equilibrado?

Geograficamente, a Bulgária não é um país periférico da União Europeia. Se fosse assim, o que dizer da Lituânia, ou da Grécia? O conceito de periferia é sobretudo político e económico. Mas no nosso mundo globalizado e informatizado, os conceitos de centro e periferia estão a mudar de sentido. A Bulgária está situada na zona leste da Península Balcânica. O nome da península vem do nome da cadeia dos Balcãs que atravessa o território búlgaro. O nome Balkan tem muita importância na nossa história.

Em relação ao território, a Bulgária não é um país pequeno. Se fosse assim, o que se poderia pensar do Mónaco ou de Liechtenstein? (superfície:111,000km²)

O povo búlgaro não é apenas um povo eslavo, é o resultado de uma mestiçagem entre os eslavos do sudeste que povoaram a Península Balcânica a partir do século VI e os antigos búlgaros que, segundo alguns historiadores, estavam já nessas terras, ou que terão chegado no início do século VII. Os antigos búlgaros vieram das terras da Ásia central. Encontramos pela primeira vez o etnónimo “bulgar” numa crónica romana anónima do ano 354. Fontes arménias mais antigas indicam que os antigos búlgaros povoaram as terras no norte de Cáucaso.  cyril_methody.jpg

O estado Búlgaro não é um estado recentemente formado. É um dos estados mais antigos da Europa, que tinha fronteira com o Império Bizantino, (a parte oriental do antigo império romano) para o bem e para o mal. Foi no ano 681 que o Imperador bizantino Constantino IV reconheceu a impossibilidade de vencer e expulsar, das terras ao sul do Danúbio, os antigos búlgaros e os eslavos que tinham formado uma união forte, dirigida pelo Khan Asparuh. O tratado de paz, que o Imperador bizantino ofereceu ao Khan Asparuh nesse mesmo ano, marca o início do estado búlgaro nas terras da Europa do sudeste. A capital foi a cidade de Pliska. O novo estado ocupava principalmente o território da antiga província romana, Misia, hoje Bulgária do Norte.

O novo estado adoptou o nome de Bulgária, apesar do número de habitantes eslavos ser mais elevado (habitantes búlgaros: 300 000). De facto, politica e culturalmente, o elemento búlgaro foi determinante. A aristocracia búlgara e as estruturas militares tiveram um papel decisivo na organização do novo estado. Foi por isso que designaram a língua falada por búlgaro. 

Um dos factos mais interessantes, ligados à língua búlgara, é a criação do alfabeto cirílico. O búlgaro é uma das raras línguas que fixou a história da criação da sua escrita. Dois irmãos de origem eslava, o filósofo Constantino-Ciril, e o seu irmão mais velho, Metodio, criaram o alfabeto cirílico em 855.

De facto, o primeiro sistema alfabético que os dois estudiosos criaram, foi designado como glagolítico. O nome vem do vocábulo glagol que significa palavra. A forma verbal glagolati significa falar. Foi por isso que o alfabeto teria recebido uma designação poética: os signos que falam. A ciência (os filólogos eslavistas) ainda não tem uma teoria bem fundada sobre a origem e a estrutura do glagolítico. Eis mais um desafio cultural para a nossa Europa! Este alfabeto tem cerca de 40 letras. 24 delas têm origem nas letras gregas antigas, 3 vêm da língua hebraica. Pensa-se que as restantes têm origem na escrita georgiana religiosa e, em algumas escritas orientais. Ultimamente, começa a ganhar importância a teoria do Prof. Vassil Ionchev, que lança a hipótese de que o alfabeto glagolítico teria a sua origem nas runas, signos que constituem inscrições, descobertas nas antigas capitais búlgaras Preslav e Pliska (Madara, Ravna etc.). Todos estes signos têm a mesma figura-módulo e seguem o mesmo princípio de composição. Por enquanto, podemos aceitar a ideia do filólogo R. Vaillant, que sustenta que o alfabeto glagolítico é uma descoberta original dos dois irmãos Ciril e Metodio.

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O glagolítico serviu para traduzir os primeiros livros sagrados do grego para eslavónico, designado como antigo búlgaro. Estes livros serviram para evangelizar os povos do Principado da Morávia durante o século 9. Em 886, os discipulos de Ciril e Metódio foram recebidos com honra pelo rei búlgaro Boris I, que lhes proporcionou as condições necessárias para traduzir os livros sagrados e afirmar o cristianismo que o reino Búlgaro teria adoptado em 864. Portanto, considera-se que o búlgaro é uma língua escrita antes do final do século 9.

Foi a partir do glagolítico que os discípulos dos dois irmãos estruturaram o alfabeto cirílico que nós conhecemos. Tem 30 signos gráficos que correspondem aos sons fonéticos da língua falada. É nesta correspondência entre grafismo e som que consiste o valor do cirílico. Para comparar: o latim tem 29 fonemas e 20 letras, o francês tem 34/32 fonemas e apenas 26 letras. (Veja a tabela com o grafismo, o nome da letra, o fonema correspondente, o equivalente grego, o equivalente cirílico. Comparar com a outra tabela – o alfabeto búlgaro moderno.)

A partir da Bulgária, décadas mais tarde, o alfabeto cirílico será espalhado por todo o mundo eslavo: Sérvia, Valachkia, Moldávia, Rússia. Constantino-Ciril morreu em 869 e foi sepultado em Roma, na igreja “San Clemente”, com a autorização do então Papa Adriân II. Metodio morreu em 885.

A língua búlgara é a primeira língua eslava que tem escrita. Faz parte do grupo das línguas eslavas, mas integrou algumas características do antigo búlgaro, um “pormenor” muitas vezes esquecido.

Algumas características mais importantes do búlgaro moderno:

1. O antigo búlgaro teve 11 vogais, o búlgaro moderno tem 6. Mas o número de consoantes aumentou. O búlgaro é a única língua eslava que tem o som ь, мъка.   

2. О búlgaro perdeu a declinação dos substantivos e desenvolveu um sistema de preposições complicado, ao contrário das outras línguas eslavas. A ordem das palavras na frase determina o sentido.

3. O búlgaro tem artigo definido em pós-posição que as outras línguas eslavas não têm. Temos também, nalguns casos, artigo indefinido (edin, edna …).

4. Preservou a riqueza do sistema verbal do antigo búlgaro: 9 tempos verbais, 4 modos, 5 particípios. Tem o modo “não-presencial” para exprimir um acontecimento que o locutor não presenciou.

5. Três géneros como as outras línguas eslavas: masculino, feminino e neutro.

6. O aspecto (lexical) do verbo: na língua búlgara e nas outras línguas eslavas, para cada acção existem dois verbos: um com aspecto acabado e outro com aspecto inacabado. Por exemplo: пиша e написвам.  

7.  Uma grande capacidade de criação lexical a partir de um radical e vários sufixos. Por exemplo: казвам, изказвам, приказвам, доказвам, разказвам. (dizer, expressar, conversar, demonstrar, contar).

 

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Estudar o búlgaro seria viver a diferença.

 

Zlatka Timenova

Expolíngua, 10 de Março de 2007


The Glagolitic alphabet or Glagolitsa is the oldest known Slavic alphabet. It was created by brothers St Cyril (827-869 AD) and St Methodius (826-885 AD) in 855 or around 862863 in order to translate the Bible and other texts into the Slavic languages.

The alphabet has two variants: round and square. The round variant is dominated by circles and smooth curves, and the square variant features a lot of right angles, and sometimes trapezoids. See an image of both variants (incomplete). Or for more details The square variant lends itself to a more abundant use of ligatures than in the Latin or the Cyrillic script.

The following table lists each letter in order, giving a picture (round variant), its name, its approximate sound in IPA, the presumed origin (if applicable), and the corresponding modern Cyrillic letter. The names Jer to Jus are sometimes written Yer to Yus. There are several letters that have no modern counterpart, such as the nasal vowels Jus.

Ver quadro em: http://en.wikipedia.org/wiki/Glagolitic_alphabet

Docentes

 

 

DRªnational assembly and alexander palace, sofia.jpg Zlatka Timenova

Professora auxiliar convidada na Universidade Lusófona de Lisboa. Lecciona língua e cultura francesas e tradução. Doutorada em Filologia francesa pela Universidade de Sofia, Bulgária. Tem equivalência ao Grau de Mestre em Literaturas comparadas Portuguesa e Francesa pela Universidade Nova de Lisboa, concedida em 1997. Escreveu vários artigos na Bulgária, na França, na Grécia e em Portugal,  sobre a literatura francesa e o analise do texto literário, e também sobre o ensino das línguas estrangeiras e sobre a literatura e cultura búlgaras. Publicou traduções nas áreas da literatura, cultura e didáctica. Tradução do livro L’enseignement répondant de Louis Not. Membro fundador da Iberian-Slavonic Association.

 

 

Acções do Documento
E-cursos

 

 

O ILNOVA irá progressivamente integrar novos cursos e-learning e semi-presenciais, sobretudo com recurso ao Moodle. De momento, pode já contar com os seguintes cursos:

Ranking de inscrições

 Top 7 das línguas mais procuradas no ILNOVA (Outubro 2009)

  1. Inglês

  2. Espanhol

  3. Japonês

  4. Árabe

  5. Russo

  6. Alemão

  7. Mandarim

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